Por Delci Oliveira
Esta noite eu tive um sonho
Que ainda não sei se compreendo.
Nunca vi coisa mais feia:
Sonhei que estava
morrendo!
E no último suspiro
Ouvia o Alemão
passar
Com a “corneta”
anunciando:
- Noticiamos com
pesar...
E seguiu-se a ladainha
De extensão extraordinária:
A lista dos familiares
E o nome da Funerária.
Ao tamanho palavrório
Só faltou acrescentar:
- Se você vai ao
velório
Deixe em casa o
celular!
O Alemão diz que obedece
O texto que vem escrito.
Não lhe importa se o defunto
É branco, é pobre ou bonito!
Me perdoa, Alemão velho
O foco foi invertido:
Teu verdadeiro cliente
É o pobre do falecido.
Só morrendo me dei conta
O quanto gosto de falar
(só se alguém “olha o relógio”
É que me obrigo a parar)!
De longe ainda escutava
A farra da gurizada:
- Lá se vai o tal “Poeta”
Com a boca bem “colada”!
Quero
mesmo é ser cremado
Sem notícias e sem ecos.
E esparramem minhas cinzas
Sobre o CERRO
DOS BADECOS.
E quando for Primavera,
Cante saudades por mim
Algum pássaro gaúcho
Sobre um ramo de alecrim.
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