Prefeituras de Canguçu, Pinheiro Machado, Jaguarão, São José do Norte e Santa Vitória do Palmar receberam mais de R$ 26 milhões para melhorar a estrutura dos centros
Cinco hospitais públicos dos municípios de Canguçu, Pinheiro Machado, Jaguarão, São José do Norte e Santa Vitória do Palmar
amargavam situações parecidas: estrutura precária, dívidas com impostos
e fornecedores, problemas que repercutiam diretamente no atendimento
prestado à população. Em três deles, Hospital de Caridade de Canguçu,
Associação de Assistência Social Hospital de Pinheiro Machado e Santa
Casa de Misericórdia de Jaguarão, a intervenção pública se tornou
inevitável e foi realizada pelas prefeituras, mediante decretos
municipais respaldados pelo governo do Estado.
Em São José do Norte, a administração do
Hospital Municipal, que era realizada pela Associação do Hospital e
Maternidade São Francisco (AHMSF) desde a fundação em 1975, foi entregue
pela prefeitura mediante contrato à Fundação Hospitalar Getúlio Vargas
(FHGV), de Sapucaia do Sul, em agosto do ano passado. Na Santa Casa de
Misericórdia de Santa Vitória do Palmar, a intervenção foi “consentida” e
recebeu o apoio da prefeitura e do governo do Estado. O Conselho
Deliberativo da casa elegeu um novo provedor que, por sua vez, nomeou
uma nova diretora geral.
Canguçu foi o primeiro a sofrer
intervenção, em 2 de maio do ano passado, e recentemente, na mesma data
deste ano, devolveu a administração à mantenedora. Pinheiro Machado
completa um ano no dia 3 de junho e pode prorrogar o trabalho da
comissão gestora por mais um. Em Jaguarão, a continuidade ou não da
intervenção ocorrida em 12 de junho do ano passado deve ser discutida
com a comunidade, após a apreciação do relatório final da comissão
gestora, que se encontra em elaboração, pelo prefeito.
Nos cinco casos, o apoio do Estado veio
em forma de recursos, com a melhoria das contratualizações e aumento da
oferta de serviços. Todas as instituições receberam repasses
emergenciais e, até o dia 5 de maio deste ano, foram repassados para a
área de saúde destes municípios, mais de R$ 26 milhões, a fim de
melhorar a vida financeira destas instituições, conta o titular da 3ª
Coordenadoria Regional da Saúde (CRS), Milton Martins.
O coordenador ressalta que neste período
das intervenções, de um ano a dez meses, foi construído um outro
ambiente nestas cidades, em que a comunidade obteve maior confiança nos
hospitais e os usuários conseguem resolver suas necessidades mais perto
de casa. “Todos estes hospitais estão realizando cirurgias eletivas como
pedras na vesícula, gástricas, urologia, hérnias, entre outras”, diz
Martins, que destaca a repercussão da melhoria da estrutura dos
hospitais não apenas na comunidade local mas também das cidades do
entorno. “Os hospitais estão microrregionalizados e, por isso, as
melhorias refletem nos 22 municípios da 3ª CRS.”
Hospital de Pinheiro MachadoNo
dia 12 de junho, completa um ano que a Associação de Assistência Social
Hospital de Pinheiro Machado está sob intervenção do município. A
medida foi tomada como tentativa de reverter a grave crise financeira da
instituição, com endividamento estimado em mais de R$ 5 milhões. De
acordo com o vice-prefeito e integrante da comissão gestora, Ronaldo
Madruga, entre as principais conquistas da instituição está a referência
em oftalmologia, que passa a funcionar a partir do próximos mês, e irá
atender pacientes de 12 municípios do entorno, entre outros
procedimentos, com cirurgias de catarata.
Os principais motivos para a ação
extrema como salários atrasados, dívidas de INSS e FGTS que se
acumulavam há mais de dez anos, estimadas em R$ 3 milhões, a não
prestação de serviços à comunidade e de internação por falta de
medicamentos básicos, equipamentos e materiais para as equipes estão
resolvidos ou negociados.
Segundo ele, atendimentos de cardiologia
e neurologia, que antes não existiam, agora são ofertados a cada 15
dias à população pinheirense. “O serviço de ultrassom também está
funcionando e aos poucos estamos ativando os serviços”, diz Madruga, que
ressalta serem as melhorias um processo em construção, mas que na sua
estrutura se difere e muito do hospital que foi assumido há um ano.
Santa Casa de Misericórdia de JaguarãoA
Santa Casa de Caridade de Jaguarão foi o terceiro estabelecimento de
saúde da região a sofrer a intervenção pública, por dificuldades
financeiras e de gerenciamento. De acordo com o gestor presidente, João
Cláudio Pedroza, a intervenção foi uma experiência positiva para o
hospital, que neste período conseguiu equilibrar as suas finanças, e
também para a comunidade jaguarense que aprovou a iniciativa, diz.
Os principais motivos para a intervenção
foram a paralisação dos serviços de internação na Santa Casa e a ameaça
iminente de fechamento das portas e encerramento dos atendimentos pelo
SUS. A instituição acumulava uma dívida de aproximadamente R$ 5 milhões,
somente no ano de 2012, e, ainda, dívidas trabalhistas e com o INSS, o
que, segundo Pedroza, hoje se apresentam bem mais equilibradas. “As
dívidas com a CEEE e a Corsan estão negociadas e com os fornecedores e
colaboradores totalmente em dia”, garante.
Hospital Municipal de São José do NorteApós
a intervenção, o Hospital Municipal de São José do Norte, que passou a
ter uma nova gestão, conseguiu renovar o seu contrato com o Estado e
garantiu recursos de R$ 2,7 milhões para todo este ano. O vice-prefeito
Francisco Xavier avalia que hoje o hospital possui uma gestão
profissional e as melhorias se deram principalmente na qualificação da
equipe de servidores, desde médicos até a área administrativa.
O Hospital Municipal de São José do
Norte é um hospital geral público, com 51 leitos destinados em sua
totalidade ao Sistema Único de Saúde. Segundo Xavier, está pré-aprovado
projeto para construção futura de um novo hospital, com recursos do
governo do Estado.
Santa Casa de Santa Vitória do PalmarA
Santa Casa de Misericórdia de Santa Vitória do Palmar, com gestão
assumida no final do mês de março por uma nova direção, busca driblar os
problemas financeiros da instituição. O montante da dívida do hospital
foi estimado entre R$ 12 milhões e R$ 15 milhões. Como verba
emergencial, o Estado já liberou R$ 500 mil para o hospital e outros R$
2,5 milhões devem ser repassados em breve.
A partir de convênio mantido com a
prefeitura, foram adiantados quatro meses do valor Pronto Atendimento,
de R$ 440 mil, para despesas emergenciais, usados para pagar a folha do
mês de março, com depósito do INSS e do FGTS e 34% da folha de
fevereiro, relativos aos salários dos médicos. Foi priorizada, ainda, a
aquisição de medicamentos e a alimentação.
Pagamento de salários, fornecedores e
prestadores de serviços são priorizados pela nova administração, para
que o hospital continue funcionando. Entre os compromissos firmados pela
nova direção, está o de manter a folha de pagamento em dia. A Santa
Casa depende basicamente do aporte de recursos, relativos aos repasses
da União, do Estado e do município.
A Santa Casa de Misericórdia de Santa
Vitória do Palmar atende uma população de cerca de 40 mil pessoas, pois é
referência também para o município vizinho Chuí. A cidade mais próxima é
Rio Grande, a 240 quilômetros. Possui 65 leitos, dos quais 53 são
destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Em Canguçu, Hospital de Caridade volta às mãos da antiga mantenedora|No
dia 2 de maio, exatamente um ano após a intervenção, a administração do
Hospital de Caridade de Canguçu, revigorado, voltou às mãos da
Associação Hospital de Caridade e ao novo presidente eleito, Armando
Morales. Na prestação de contas do último ano, foi mostrada a queda
significativa no endividamento da instituição que passou de R$ 13,06
milhões para R$ 7,1 milhões.
Melhorias significativas também
ocorreram na estrutura da entidade e a crise institucional e financeira
que existia deu lugar a novas perspectivas. Do total da dívida existente
há um ano, metade foi quitada e o restante, de longo prazo, já está
negociado e com o parcelamento em dia. A situação de inadimplência foi
completamente sanada e a comissão gestora deixou uma entrada de caixa
garantida de R$ 4,7 milhões para a mantenedora.
As dívidas com a Corsan e a CEEE que
ameaçavam o hospital de entrar no Serasa foram negociadas e obtidos
investimentos de R$ 4,5 milhões, o que reverteu em infraestrutura na
pediatria, no laboratório e no Pronto-Socorro, que saltou de 60
atendimentos diários para 120.
Investimentos do Estado na saúde dos municípios:
Cidade 2013 R$ 2014 R$ (até 5/5)
Canguçu 5,735 mi 4,214 mi
Jaguarão 3,726 mi 752 mil
Pinheiro Machado 2,306 mi 1,462 mi
São José do Norte 4,632 mi 618 mil
Santa Vitória do Palmar 2,150 mi 1,128 mi
Total 18,549 mi 8,174 mi
Fonte: 3ª Coordenadoria Regional da Saúde (CRS)
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