Depois de mais de três décadas professora retorna e profere palestra em escola de Piratini - PinheirOnline

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Depois de mais de três décadas professora retorna e profere palestra em escola de Piratini

Depois de mais de três décadas professora retorna e profere palestra em escola de Piratini

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Assessora de Alfabetização e Letramento da 5ª Coordenadoria Regional de Educação, em Pelotas e Orientadora do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), a Professora participou da Roda de Conversa durante o II Encontro da Educação do Campo.

O reencontro da Prof.ª Terezinha Azevedo Barcellos com os amigos e ex-alunos aconteceu em uma Roda de Conversa intitulada “EDUCAÇÃO DO CAMPO UMA CAMINHADA EM CONSTRUÇÃO” promovida pela E.M.E.F. Dr. José Maria da Silveira durante o II Encontro da Educação do Campo. 

A Professora, que possui curso de Magistério, Licenciatura em Letras e Especialização em Educação, começou sua carreira aos 14 anos nas escolas rurais do 2º Subdistrito de Piratini-RS. Sua primeira atuação foi na E.M. Arzelino da Porciúncula, no Cerro da Liberdade, sendo transferida para a Fazenda Itassocê, nos Três Capões onde atualmente é um Assentamento.

Morando na Fazenda, Azevedo Barcellos passou por uma situação constrangedora. “– Neste período eu estava em um trabalho de comunidade de base, bem na teologia da libertação, tive que morar numa Fazenda onde tinha os empregados negros, estive que ir para mesa dos brancos, quando ia tudo contra, naquela época os negros e os empregados não comiam na mesma mesa. Eu ainda tentei ficar na cozinha com os negros e os empregados”. Contou a palestrante que pretende ainda um dia escrever um livro.
Trabalhou na Serragem, Passo do Moinho, onde ficou um ano e meio, sendo removida para o Quilombo onde tinha problemas de discriminação e preconceito, permanecendo por lá aproximadamente um ano, quando então surgiu uma proposta para a jovem ir para a Bahia. No estado Baiano Terezinha teve sete anos, sendo quatro anos num projeto de Igrejas Irmãs. “-Minha vida não é uma mesmice, sempre foi acontecendo”. Declarou a pedagoga que propôs que todos fizesse uma viagem no tempo para verem como era a educação, distribuindo folhas aos participantes para que cada um através de desenhos ou texto pudessem registrar as memórias do início da educação.
Os alunos da época apontaram diversas dificuldades por eles enfrentadas nas escolas rurais que geralmente eram improvisadas em chalés ou galpões de fazendas sem nenhuma infraestrutura como água potável, luz elétrica e banheiros. “- Se pedia para dar uma volta”. Lembrou o Prof. Gabriel Barcellos. A distância, que por vezes era superior a 05 quilômetros, percorrida a pé ou a cavalo até a escola foi outro ponto comum debatido na palestra.
Merenda escolar não havia, os alunos levavam lanche de casa. Algumas até ofereciam como relata a universitária Jaine. “- Faziam bolo frito com chimia, aquele roda de carroça, sabe”. Relembrou a jovem que disse que apesar das dificuldades os professores realizavam um bom trabalho.
O produtor rural, Cledinei Fagundes, apontou em seu trabalho as diferenças entre o passado e o presente. “- Era um professor para todas as matérias, hoje tem um para cada disciplina, a gente ia a pé, fazia 05 quilômetros com o sol do meio-dia, às vezes com fome. Era difícil, mas era bom”! Exclamou o agricultor.
Para a Orientadora do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), Prof.ª Terezinha, a escola do campo precisa trazer o conhecimento que existe na comunidade para dentro da escola e o conhecimento adquirido na escola precisa voltar para o campo, se não for assim a educação do campo não está sendo produtiva. A Orientadora não poupou críticas às escolas que pregam uma teoria e acabam não as colocando em prática “- Não adianta ensinar os alunos terem uma alimentação saudável se no recinto escolar existir um barzinho vendendo produtos altamente nocivos à saúde, os veneninhos”. Alertou a Assessora de Alfabetização e Letramento da 5ª CRE. Salientou ainda que a ausência da família no ambiente escolar não pode ser motivo do aluno não aprender. “- Vai ser mais difícil, vai, mas temos que fazer este aluno aprender, se a família não vem à escola, a escola tem que ir até a família”. Reiterou a Prof.ª Terezinha que deixou uma frase para que todos refletissem sobre a educação do campo:
"NÃO VOU SAIR DO CAMPO PRA PODER IR PRA ESCOLA, EDUCAÇÃO DO CAMPO É DIREITO E NÃO ESMOLA."

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