Foto: Francisco de Assis
Acompanhado do pai, o jovem bajeense fez uma relato sobre o horror que viveu na tragédia ocorrida em Santa Maria, onde morreram mais de 200 jovens no incêndio da boate Kiss. O rapaz foi um dos sobreviventes. Ele foi, na sexta-feira, para a cidade, a fim de comemorar o aniversário de um amigo.
Ramos conta que foi para a festa porque o colega havia conseguido cortesia. O bajeense estava bem em frente ao palco quando o fogo iniciou. No primeiro instante, segundo o jovem, ninguém deu importância ao fato, porém, o fogo se alastrou rapidamente. “Fomos nos afastando do palco em busca da saída e a fumaça tomou conta muito ligeiro “, lembra. O rapaz relata que as pessoas que estavam no local onde o fogo iniciou foram as primeiras a sair. Ele foi o último dos três amigos que o acompanhavam a fugir do ambiente, tendo inalado fumaça. Ramos comenta que os jovens que estavam em outro ambiente da boate, por não terem visto o fogo, foram os mais prejudicados e os que mais inalaram fumaça.
Segundo o jovem, o desespero começou a tomar conta das pessoas e muitos caíram e foram pisoteados. Ele disse que foi o último dos amigos a sair e não lembra muito dos fatos. “Recordo que não sentia mais os pés no chão e saí empurrado pela multidão”. Ele afirma que, na saída da porta, caiu, e foi puxado por outro rapaz. O estudante declara que estava em choque e afirma que o que mais o marcou foi quando sentou em um muro para respirar e viu que estava cheio de corpos no chão.
O pai do jovem, Luís Fernando Ramos, disse que por volta das 5h recebeu uma ligação do filho. “Ele estava chorando muito e dizia que estava bem. Não tínhamos noção do que havia acontecido no local”. Ainda emocionado, o pai disse que está feliz por ter seu filho vivo e em casa, mas revela que a felicidade não é plena. Ele sente e se solidariza pelas famílias que perderam os filhos na tragédia. “Para estes jovens, foi o final do mundo atrasado”.
O rapaz conta que as cenas ficarão marcadas para sempre em sua memória e, por enquanto, não consegue ver nenhuma notícia a respeito da tragédia. “Não vejo televisão nem olho nada na internet. Estou com dificuldade para dormir.” Fernando voltou para Bagé no domingo à noite e já procurou o médico para fazer exames.
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